Copa do Mundo: quando o Brasil volta a ser Brasil!

FOTO: IA

*Por George Fernandes

 

Há um Brasil coberto de lama. E não é da lama das terríveis enchentes que estou falando, mas de uma não menos terrível: a da polarização político-ideológica que transforma familiares em adversários e amigos em inimigos. 

Um país dividido é um país que desaprende a sorrir. Mas há um milagre que, de tempos em tempos, insiste em desafiar a lógica: a Seleção Brasileira.

Basta a amarelinha surgir no gramado para que o Brasil, por alguns dias (ou semanas), deixe de ser direita ou esquerda e volte a ser apenas Brasil.

Foi por causa da amarelinha e dos cinco títulos mundiais – patrimônio que nenhuma outra nação possui, diga-se – que o mundo aprendeu a admirar este país de tantos contrastes. Em Copa do Mundo, o planeta inteiro parece vestir nossas cores.

É impossível não se emocionar ao ver Bangladesh, Índia e Afeganistão parando para torcer pelo Brasil. Uma cena capaz de arrepiar até brasileiro que torce pela Argentina, esses, convenhamos, desafiam qualquer explicação da ciência. Deus me livre.

Durante muito tempo, depois do pentacampeonato de 2002, a Seleção perdeu o abraço do seu próprio povo. Ficou distante, quase estrangeira dentro da própria casa.

Mas alguma coisa mudou.

É bonito, e até comovente, ver o brasileiro voltando a vestir a camisa, reunir a família, sofrer, gritar, acreditar. Fazia muitos anos que eu não sentia esse clima. Há uma esperança silenciosa percorrendo as ruas, os bares, as esquinas e os grupos de WhatsApp.

É verdade que já não temos uma constelação de craques como em outras épocas. Ainda assim, existe uma confiança que desafia a lógica e a razão. E talvez o futebol nunca tenha vivido apenas de lógicas e razões.

Se existe um povo que merece voltar a ser campeão do mundo, esse povo é o brasileiro.

Não apenas porque já são 24 anos de espera. Mas porque este país precisa, desesperadamente, de um motivo para sorrir junto outra vez. Precisa esquecer, nem que seja por noventa minutos, as brigas intermináveis, as disputas ideológicas e a rotina de ser enganado, eleição após eleição, por políticos corruptos, populistas e inescrupulosos.

Talvez seja ingenuidade acreditar que um título de Copa do Mundo cure as feridas de uma nação. 

Mas o futebol nunca prometeu curar o Brasil. Apenas nos lembrar, por alguns instantes, de que ainda somos capazes de sonhar o mesmo sonho.

A energia que vem das arquibancadas, das ruas, dos bares e das casas é tão intensa que parece atravessar continentes e contagiar até os americanos do norte.

Vamos lá, Alisson, Danilo, Gabriel Magalhães, Marquinhos, Douglas Santos, Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá, Matheus Cunha, Vini Júnior, Endrick, Neymar… e todos os demais comandados pelo carismático italiano Carlo Ancelotti.

Sacrifiquem-se por nós.

E que, finalmente, venha o HEXA!

Vamos transformar esse imenso país num grande Carnaval fora de época…

 

*Criador e editor do Blog Esporte

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