Planilha personalizada é o segredo para o atleta chegar aos 5 km com segurança

Will e equipe da Winner Run em ação (FOTO: Divulgação)

A corrida de rua deixou de ser um esporte de nicho para se tornar um dos maiores fenômenos socioculturais do país. Levantamento da segunda edição do estudo “Por Dentro do Corre”, realizado pela Olympikus em parceria com a Box1824, mostra que o Brasil já soma 15 milhões de praticantes. Destes, dois milhões deram os primeiros passos apenas em 2025. 

O crescimento em relação ao ano anterior foi de 15%, e o boom pós-pandemia, turbinado pelas redes sociais, também impulsionou o turismo esportivo: a comercialização de pacotes de viagem para participação em provas cresceu mais de 364%. O apetite por competições acompanha o ritmo. Segundo a Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo), o número de provas oficiais no país cresceu 85% em 2025, somando mais de 5 mil eventos ao longo do ano. 

Já o Panorama Setorial Fitness Brasil aponta que a corrida ultrapassou a musculação e se consolidou como a atividade física mais praticada pelos brasileiros. Deixou de ser apenas um esporte para se tornar um estilo de vida construído em torno de comunidade, bem-estar e novas experiências.

Desafio dos primeiros 5 km

Mas para quem nunca correu, sair da inércia e completar os primeiros 5 quilômetros exige mais do que vontade. É o que defende o treinador Will Martins, CEO da Winner Run, assessoria de corrida com sede em Natal (RN), e presidente da Associação de Assessorias de Corrida de Rua do Rio Grande do Norte. “Evolução, frequência e descanso são as três palavras-chave para quem pretende começar a correr 5 km”, resume Will, que costuma reforçar aos alunos a importância de respeitar o processo e não se preocupar com a intensidade ou a velocidade dos treinos.

“Cada treino realizado é um passo mais perto dos seus primeiros cinco quilômetros. Não importa a velocidade, o que faz a diferença é a constância. Cada treino é um tijolo na sua conquista”, costuma orientar o treinador, que tem usado o Instagram da assessoria (@assessoriawinnerrun) para publicar uma série de vídeos explicando, passo a passo, como montar uma planilha de treino para 5 km.

De acordo com Will, o prazo para sair do sedentarismo e concluir a primeira prova de 5 km com segurança gira em torno de 6 a 8 semanas, desde que o treino seja progressivo e supervisionado. “É um processo, não uma corrida contra o tempo. O corpo precisa de tempo para se adaptar”, reforça.

Para quem está começando

As orientações da Winner Run, no entanto, não se destinam apenas a estreantes. Corredores mais experientes também dependem de planilhas estruturadas e acompanhamento técnico para evoluir com consistência. 

É o caso do corredor amador e criador de conteúdo digital Marcos Aciolly, aluno da assessoria. “Há dois meses iniciei minha jornada na assessoria e os resultados já são nítidos. Mais do que melhorar o ritmo, ganhei constância, resistência, disciplina e confiança. Cada treino tem um propósito, cada orientação faz diferença e cada desafio passou a ser encarado com muito mais segurança”, relata Marcos.

“A corrida vai muito além de colocar um tênis e sair para treinar. Ter uma assessoria faz toda a diferença. É ter planejamento, técnica, motivação e pessoas que caminham ao seu lado em busca da sua melhor versão”, completa o corredor.

Acompanhamento profissional

O entusiasmo em torno da corrida também acende um alerta: o aumento do número de praticantes vem acompanhado do aumento de lesões, especialmente entre iniciantes que ignoram os limites do próprio corpo. Por isso, Will defende que o acompanhamento de profissionais de educação física é indispensável desde a fase de adaptação.

“Também é necessário a realização de exames cardiológicos e um descanso adequado. Isso é essencial para evitar lesões musculares e articulares”, recomenda o treinador, que defende um suporte multidisciplinar envolvendo, por exemplo, nutricionista, musculação e fisioterapia.

O fisioterapeuta Ronnie Peterson, CEO da Fisio Esporte e Saúde, clínica especializada em prevenção e recuperação (recovery) para corredores, confirma que as lesões mais comuns entre novatos afetam tendões e articulações.

“Para os corredores, principalmente os iniciantes, as lesões mais comuns são as tendinopatias: tendão de aquiles, patelar e glúteo. Observamos também as canelites, processo de inflamação na canela, no terço médio da tíbia. Fora isso, também vemos contraturas e estiramentos musculares. Mas, na prática, são os tendões e as articulações que mais sofrem”, explica Ronnie Peterson.

Entre as recomendações para reduzir o risco de lesões estão: Respeitar uma fase de adaptação antes de aumentar volume ou intensidade; Realizar exames cardiológicos antes de iniciar os treinos; Garantir descanso adequado entre as sessões; Contar com acompanhamento técnico de um treinador ou assessoria especializada; Buscar suporte multidisciplinar (nutrição, fisioterapia, musculação).

Papel da assessoria

Como presidente da Associação de Assessorias de Corrida de Rua do Rio Grande do Norte, Will Martins também acompanha de perto o avanço da modalidade no estado, reflexo do movimento nacional que tem levado cada vez mais pessoas a trocar o sedentarismo pelo asfalto. 

Para o treinador, a profissionalização do setor, com assessorias oferecendo planilhas personalizadas e suporte técnico contínuo, é um dos fatores que explicam por que a corrida deixou de ser apenas uma prática esportiva para se tornar, de fato, um estilo de vida.

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