Férias de julho aumentam sedentarismo entre jovens e exigem atenção dos pais

Charming little girl is shows her biceps and smiling while working out at gym.

As férias de julho costumam ser sinônimo de descanso, tempo livre e, quase sempre, mais horas em frente ao celular, videogame ou televisão. Sem a rotina da escola, o nível de movimento diminui e essa mudança, embora pareça inofensiva, pode impactar rapidamente o corpo e o bem-estar de crianças e adolescentes. Durante o período letivo, mesmo sem planejamento, existe um padrão de atividade constante. Caminhar, brincar no recreio e participar das aulas já garantem estímulos importantes. Quando essa dinâmica é interrompida, o organismo começa a responder em poucos dias, com queda no condicionamento físico e na disposição.

 Segundo Júlio Machado, Educador Físico da Selfit Academias, essa redução de atividade interfere diretamente no desempenho do corpo, levando à perda de força, resistência e capacidade cardiorrespiratória. “Os efeitos, no entanto, vão além do físico. A diminuição do gasto energético pode afetar o sono, o humor e até a alimentação, especialmente quando o tempo de exposição às telas aumenta. Nesse contexto, é comum que o apetite cresça enquanto o gasto calórico diminui, favorecendo o ganho de peso e dificultando o retorno à rotina após as férias”, explica.

 Manter crianças e adolescentes em movimento não exige regras rígidas. O estímulo costuma ser mais eficaz do que a imposição. O comportamento dos adultos tem papel importante nesse processo, já que os mais jovens tendem a reproduzir hábitos do ambiente em que estão inseridos. Outra estratégia é incorporar o movimento às próprias brincadeiras, tornando a atividade física parte do lazer. Segundo Machado, quando o exercício aparece de forma leve e associada a desafios ou jogos, a adesão tende a ser maior.

 Brincar também é se exercitar

Transformar o tempo livre em momentos mais ativos pode ser mais simples do que parece. Para Júlio Machado, não é necessário investimento nem estrutura complexa para tirar crianças e adolescentes do sedentarismo durante as férias. “Dá para se movimentar muito gastando pouco e ainda fortalecer o vínculo familiar. Um circuito simples dentro de casa, com almofadas para pular, cadeiras para passar por baixo e objetos no chão para trabalhar equilíbrio, já estimula bastante o corpo”, afirma. Ele também sugere atividades que envolvam interação e movimento ao mesmo tempo. “Brincadeiras como mímica ou pequenos desafios fazem a criança se mexer sem perceber. Quando entra no campo da diversão, a resistência é muito menor”, explica.

Para quem busca uma alternativa fora de casa, espaços estruturados também podem ser aliados, desde que haja orientação adequada. Academias, por exemplo, vêm ampliando o acesso para o público mais jovem, com regras específicas. Na Selfit, menores entre 12 e 18 anos incompletos podem treinar, desde que estejam acompanhados por um responsável legal no primeiro acesso à unidade escolhida e apresentem documentação comprobatória. A medida garante mais segurança e acompanhamento no início da prática.

 Fora de ambientes estruturados, opções como andar de bicicleta, skate, patinete ou jogar bola continuam sendo excelentes alternativas. São atividades que trabalham coordenação e condicionamento de forma natural. Até mesmo o uso de telas pode ser adaptado. “Se o videogame fizer parte da rotina, o ideal é que seja com jogos que envolvam movimento, como dança. Assim, a tela deixa de ser totalmente passiva”, orienta.

Brincadeiras tradicionais também entram como aliadas importantes. “Pega-pega, queimada, pular corda… tudo isso tem um gasto energético alto e ainda traz um aspecto social e divertido”, completa.  “Não precisa transformar as férias em treino. O importante é manter o corpo em movimento de forma leve, porque isso já faz diferença na saúde e facilita a volta à rotina”, finaliza.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *