O universo dos patrocínios esportivos passou por uma transformação profunda na última década. Se antes as camisas de times e os capacetes de pilotos eram território exclusivo de marcas de bebidas, automóveis e bancos tradicionais, hoje um novo protagonista disputa cada centímetro desse espaço: as empresas de criptomoedas. A fusão entre cripto e esporte deixou de ser tendência para se tornar uma realidade consolidada e os números falam por si.
Na temporada 2024/25, os investimentos de empresas de criptomoedas em patrocínios esportivos atingiram cifras expressivas. Segundo levantamento da B2Binpay, o setor aplicou cerca de US$ 565 milhões globalmente, aproximadamente R$ 3 bilhões. Do total, o futebol absorveu quase 60%, ou seja, cerca de US$ 340 milhões, destinados à associação com clubes e competições em todo o mundo.
O investimento agressivo das empresas de cripto no esporte teve início em 2020, quando, em busca de atrair novos usuários para o mundo Web3, as marcas gastaram uma fortuna para igualar o poder publicitário de outros mercados, como o de cervejas e automóveis. Entre os exemplos mais emblemáticos estão: Binance e Cristiano Ronaldo, OKX e Manchester City, Crypto.com e Fórmula 1 e Coinbase e NBA.
Mas talvez o movimento mais inovador venha de parcerias com atletas individuais, especialmente em esportes de ação e estilo de vida. A Oobit, uma fintech global de pagamentos em criptomoedas, mostrou para o mundo a praticidade do seu produto, apostando em uma campanha que conecta tecnologia e estilo de vida de forma visceral. A iniciativa é parte da campanha de marketing “Built for the Next Wave”, cujo objetivo é mostrar como a tecnologia de pagamentos cripto da empresa está pronta para apoiar uma nova geração de atletas globais que viajam, vivem e competem em eventos ao redor do mundo.
“A presença cripto no esporte vai muito além das quatro linhas. Na Fórmula 1, gigantes como Bybit, OKX e Crypto.com estampam seus logos em diferentes equipes e etapas do Mundial, atraindo a atenção de milhões de fãs ao redor do globo. Cada modalidade esportiva passou a ser encarada como uma porta de entrada para públicos diferentes e as empresas cripto souberam explorar isso com inteligência”, analisa Eduardo Prota, General Manager Brazil and Head of Latam da Oobit.
Na Oobit, o surf foi escolhido como palco perfeito para essa mensagem e por razões óbvias. Surfistas personificam a ascensão do estilo de vida sem fronteiras, já que viajam constantemente pelo mundo em busca das próximas ondas e das maiores séries, o que significa que precisam se adaptar rapidamente.
Entre os atletas escolhidos para a campanha, o destaque brasileiro é Ian Cosenza, um dos surfistas de ondas grandes mais respeitados do planeta. Ian é hexacampeão de Gigantes de Nazaré e vencedor do prêmio de Maior Onda do Ano de 2024, feitos que o colocam entre a elite mundial do big wave surfing. Sua trajetória ficou ainda mais conhecida ao aparecer na série documental 100 Foot Wave, da HBO, que acompanha a busca de surfistas pelo limite humano nas ondas ciclópicas de Nazaré, em Portugal.
“A escolha de Ian não é apenas simbólica. Ela carrega uma mensagem prática e direta sobre os desafios reais de quem vive na fronteira do esporte de alto rendimento. Em suas próprias palavras, o surf de ondas grandes leva o atleta para todos os cantos do mundo, muitas vezes com pouca antecedência, e ter ferramentas que apoiem esse estilo de vida global faz uma diferença real”, revela Eduardo.
O patrocínio com Ian Cosenza não é apenas mais um logotipo estampado em um uniforme. É uma demonstração funcional de produto. Para viajantes internacionais, o acesso a fundos no exterior sempre foi um problema caro e burocrático, com pessoas forçadas a carregar grandes quantias em dinheiro ou recorrer a saques caros em caixas eletrônicos.
Isso alinha perfeitamente o universo do big wave surfing com os valores da Web3: liberdade, ausência de fronteiras e autonomia financeira. O surfista, que divide sua vida entre o Brasil, Portugal e qualquer praia do mundo onde a maré prometa uma onda histórica, torna-se não apenas um embaixador, mas um usuário real e crível da tecnologia.
“Como eu viajo o tempo todo por causa do surf, a parte financeira sempre foi meio complicada. Era câmbio, dinheiro em espécie, vários cartões, taxas e sempre tinha alguma coisa para resolver antes e durante a viagem. Eu não entendia muito de cripto, mas quando comecei a usar a Oobit, vi que era bem mais simples do que parece. Hoje uso USDT no dia a dia e consigo pagar as coisas com o cartão normalmente, em qualquer lugar. Também ficou muito mais fácil fazer transferências. Mando direto pelo app e a pessoa recebe na moeda local, sem dor de cabeça. No fim, acabou simplificando bastante minha vida nas viagens. Deixei de me preocupar com essa parte e consigo focar mais no surf”, diz Ian Cosenza.
O futuro dos patrocínios cripto no esporte
A parceria representa uma tendência crescente: empresas cripto que deixam de buscar apenas visibilidade massiva e passam a construir narrativas autênticas em torno de atletas que vivem os valores que a tecnologia quer representar. Agora, as parcerias estão mais focadas em benefícios práticos da tecnologia blockchain, em vez de ações de marketing de curto prazo. “O mar do marketing cripto é vasto e as empresas estão aprendendo a surfar suas ondas com precisão”, finaliza Prota.