A combinação entre excesso de telas, pouca atividade física e uma cobrança cada vez maior por resultados pode estar afastando crianças e adolescentes da prática esportiva. O alerta é do especialista em desenvolvimento infantil no esporte João Montenegro, que vem usando suas redes sociais para discutir uma questão que vai muito além de formar futuros atletas: como fazer do esporte uma ferramenta para o desenvolvimento das crianças.
Morando atualmente na Flórida, nos Estados Unidos, Montenegro chama a atenção para o número de crianças e adolescentes que abandonam o esporte ao longo da infância e da adolescência. Em um de seus conteúdos recentes, ele questiona justamente por que tantos jovens acabam deixando a prática esportiva.
Para o especialista, parte do problema está na maneira como o esporte infantil é apresentado às crianças. Quando a preocupação com competição, desempenho e resultado aparece antes do prazer de brincar, aprender e se movimentar, a atividade pode deixar de ser uma experiência positiva.
“O objetivo não é apenas formar melhores atletas, mas preparar jovens para os desafios da vida. Esporte também é educação”, afirma Montenegro em uma de suas publicações no seu perfil do Instagram – @montenegrotft.
A defesa do especialista é por uma mudança de perspectiva: antes de pensar em competição, é preciso pensar em desenvolvimento. Coordenação motora, autonomia, disciplina, socialização, capacidade de lidar com vitórias e derrotas e, principalmente, prazer em se movimentar também fazem parte do processo.
Montenegro chama atenção para a relação entre esporte e desenvolvimento infantil e reforça sua principal bandeira: “Mais movimento, menos tela”. O conceito aparece como uma provocação aos pais diante de uma infância cada vez mais conectada a celulares, videogames e outros dispositivos digitais.
A questão também passa pelo papel dos adultos. Para Montenegro, pais e profissionais precisam compreender que cada criança possui seu próprio ritmo de desenvolvimento e que transformar toda atividade esportiva em uma disputa por desempenho pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado.
A proposta, portanto, não é simplesmente retirar a tecnologia da rotina das crianças, mas recuperar espaço para aquilo que é fundamental durante o desenvolvimento: brincar, correr, experimentar movimentos, conviver com outras crianças e descobrir diferentes possibilidades por meio do esporte.
