Em uma partida de futebol, o jogador costuma ser influenciado porque o próprio adversário sabe que ele tem pavio curto e não tem preparo psicológico. Ou seja, vai buscar o desequilíbrio para gerar uma punição e afetar o outro time. Por isso, nem sempre as melhores equipes, com os melhores profissionais, são as vencedoras. Muitas vezes, o elemento psíquico tem um valor importante e termina afetando os resultados.
De acordo com Cleyson Monteiro, psicólogo e professor do curso de Psicologia da UNINASSAU Olinda, no futebol, os interesses financeiros são mais importantes que os aspectos de saúde mental. “Os jogadores e técnicos costumam passar por qualificações técnica, fisiológica e de atividades físicas, mas não existe uma preparação psíquica. Normalmente, os esportistas sofreram muito durante a vida e, quando se tornam famosas, perdem a noção da sua base, da constituição da família. Essas circunstâncias acabam afetando o estado emocional”.
Devido à falta de equilíbrio emocional, os jogadores não conseguem controlar a ansiedade e muitos passam a apresentar quadros de depressão, assim como outras psicopatologias normalmente relevadas dentro do ambiente esportivo. Isso termina culminando em comportamentos atípicos e violentos. O nível de pressão é muito grande, tornando o acompanhamento psicológico fundamental.
“Por exemplo, o último time campeão da Copa do Mundo, a Argentina, teve o trabalho de uma equipe de psicologia para preparar todo os jogadores. Os argentinos chegaram no campeonato mundial totalmente desacreditados, mas os profissionais os prepararam para o bem coletivo, não sobressaltando apenas a individualidade de cada um. Eles trabalharam a inteligência emocional e os aspectos de resiliência. Isso torna o ser humano mais apto a lidar com as pressões e adversidades do esporte”, explica Cleyson Monteiro.
Os sinais da falta de preparação mental são irritação muito profunda, quadro de violência extrema e fora da normalidade do indivíduo, intolerância às críticas, impaciência e ansiedade ligada aos elementos do futebol. “O atleta que briga com a torcida, o próprio colega ou o técnico costuma apresentar insônia, precisando de ajuda medicamentosa, e desagregação familiar, pois não se dá bem com os familiares”.
Por isso, a importância de todo time ter uma equipe de psicólogos. Caso familiares, comissão técnica e colegas de trabalho notem esses sinais, eles podem reportar aos profissionais. Dessa forma, o atleta será observado no treino, nas pré-seleções e em dinâmicas. A saúde mental é fundamental para a prática esportiva de alta performance. Isso não significa a conquista do título, mas, com certeza, melhores resultados.