Bloquinhos: esforço físico equivalente a exercícios intensos

FOTO: Divulgação

Apesar de muitos bloquinhos de Carnaval terem percursos curtos em distância, o esforço físico exigido dos foliões é significativo. “O corpo não responde apenas à distância percorrida, mas principalmente ao tempo total de atividade e à intensidade do movimento”, explica Diego Leite de Barros, fisiologista do esporte. Segundo ele, permanecer por três ou quatro horas dançando, caminhando e em pé, muitas vezes sob calor intenso, pode gerar um gasto calórico comparável ao de exercícios aeróbicos de média a alta intensidade.

Em São Paulo, exemplos ajudam a ilustrar esse cenário. O trajeto oficial do Bloco Minhoqueens, listado entre os maiores da capital, tem entre 1,5 km e 2 km de extensão. A caminhada direta pelos principais pontos do percurso cobre cerca de 1,3 km, passando pela Avenida Ipiranga, Avenida São Luís, Rua da Consolação e Rua Coronel Xavier de Toledo. Apesar da curta distância, o desfile leva cerca de três horas para ser concluído devido ao grande volume de foliões e às paradas do trio elétrico. “É um esforço prolongado, com movimento quase contínuo, mesmo quando o bloco avança lentamente”, observa Leite de Barros.

Situação semelhante ocorre com o bloco Navio Pirata, protagonizado pela banda BaianaSystem, no circuito do Ibirapuera. O percurso, com aproximadamente 1,5 km em linha reta pela Avenida Pedro Álvares Cabral, liga o Obelisco do Ibirapuera ao Monumento às Bandeiras, mas o tempo total de desfile chega a cerca de quatro horas. “Quatro horas de dança e deslocamento irregular representam um estresse físico relevante, principalmente porque não há pausas estruturadas nem controle de intensidade”, afirma o especialista.

De acordo com Leite de Barros, o desgaste tende a ser ampliado quando o esforço prolongado se soma ao consumo de álcool. “O álcool tem efeito diurético e favorece a desidratação, além de interferir na termorregulação do corpo. Em um ambiente de calor, isso acelera a fadiga e aumenta o risco de mal-estar”, explica. Ele ressalta que a combinação entre bebida alcoólica, altas temperaturas e atividade física contínua exige atenção redobrada, mesmo entre pessoas fisicamente ativas.

“O Carnaval não deve ser encarado como substituto de um treino, mas também não é uma atividade leve. Há esforço físico real envolvido”, diz. O fisiologista recomenda hidratação frequente, alternando água e bebidas com eletrólitos, uso de calçados adequados, pausas sempre que possível e moderação no consumo de álcool, especialmente em dias de temperaturas elevadas.

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