A participação feminina na corrida de rua continua crescendo no Brasil e revela uma mudança que vai além da prática esportiva. Levantamento da Zyla, assessoria de corrida movida por IA, com mais de 66 mil corredoras, mostra que 69% delas têm entre 25 e 44 anos e concentram seus treinos nas primeiras horas da manhã, indicando que a corrida passou a ocupar um espaço de saúde, organização da rotina e construção de vínculos.
O levantamento, realizado com mais de 66 mil corredoras conectadas à plataforma, revela que mais da metade (51%) das corridas femininas acontecem entre 5h e 11h, percentual superior ao registrado entre os homens (45%). O horário de maior concentração de treinos é às 7h da manhã. Além disso, 67% das atividades são realizadas em dias úteis, indicando que muitas mulheres incorporaram a corrida ao cotidiano antes do início da jornada de trabalho.
Embora os dados revelem esse comportamento, eles também levantam uma questão: por que tantas mulheres escolhem correr logo nas primeiras horas do dia? Para comunidades femininas dedicadas ao esporte, a resposta passa por aspectos que vão além da atividade física, como a conciliação da rotina, a busca por segurança e a construção de redes de apoio.
Mariana de Albuquerque, fundadora do Pace Delas, afirma que a permanência das mulheres na corrida está diretamente ligada ao ambiente que encontram ao começar a praticar o esporte. “Na prática, percebemos que muitas mulheres escolhem correr cedo porque é o momento em que se sentem mais seguras para treinar e também a única janela que encontram para cuidar de si antes das responsabilidades do dia. Muitas começam por estética ou por questões de saúde física e mental, mas permanecem porque descobrem muito mais do que um esporte. Quando encontram uma rede de apoio e outras mulheres com histórias, desafios e objetivos parecidos, a corrida deixa de ser um compromisso individual e passa a ser um espaço de pertencimento, incentivo e troca. Vemos isso com frequência no Pace Delas: muitas participantes vieram de outras cidades, ainda não tinham uma rede de apoio e encontraram no grupo amizades e conexões que fizeram a corrida ganhar um novo significado”, ressalta.
Outro dado chama atenção: 96,5% das corredoras da plataforma Zyla se consideram iniciantes. O cenário indica que a modalidade continua atraindo novas praticantes e que a experiência de começar a correr vem sendo impulsionada por fatores que vão além da performance esportiva.
Para Guilherme Monteiro Viana, CEO da Zyla, é nesse contexto que grupos e comunidades voltados ao público feminino ganham relevância ao oferecer ambientes de acolhimento, incentivo e troca de experiências. “Os dados mostram quando, como e com que frequência as mulheres correm, mas eles também revelam algo maior, a permanência no esporte depende de fatores que vão além do treino. Quando as informações da plataforma convergem com a experiência de comunidades como o Pace Delas, entendemos que rotina, pertencimento e apoio têm um papel decisivo para transformar a corrida em um hábito de longo prazo”, afirma.
“Nos últimos anos, percebemos uma mudança importante no perfil de quem começa a correr. Antes, a corrida era mais associada à performance e aos atletas experientes. Hoje, vemos um número crescente de mulheres chegando motivadas pela saúde mental, pela qualidade de vida e pela vontade de criar uma rotina mais equilibrada. A performance continua sendo uma consequência possível, mas deixou de ser o principal motivo para dar o primeiro passo”, completa.
Na avaliação de Mariana de Albuquerque, fundadora do Pace Delas, as comunidades têm papel importante para transformar o interesse inicial em um hábito duradouro. “O apoio de outras mulheres faz com que a corrida deixe de ser uma atividade focada apenas em performance ou estética porque quando elas encontram um ambiente acolhedor, sem cobranças e com pessoas vivendo desafios parecidos, passam a enxergar o esporte de outra forma. Isso reduz a pressão, fortalece o sentimento de pertencimento e faz com que a prática se torne muito mais duradoura.”
Esse movimento também aparece na experiência de Bruna Machado, integrante da comunidade Pace Delas. Corredora há mais de quatro anos, ela conta que começou a praticar atividade física motivada pela estética, mas encontrou na corrida um propósito diferente. “Com a maturidade, comecei a buscar atividades que me proporcionassem muito mais prazer e saúde mental do que qualquer outra coisa. Foi assim que a corrida surgiu. Hoje corro no meu tempo, sem pressão, e cada vez me apaixono mais”, afirma. Para Bruna, a comunidade teve papel decisivo na permanência no esporte. “Mesmo sendo uma atividade individual, para motivar mesmo ela precisa ser coletiva. O Pace Delas foi essencial nessa jornada e hoje me motiva em muitas outras frentes que vão além da corrida.” Segundo ela, correr deixou de ser apenas um exercício físico e se tornou “uma segunda terapia”, um momento de conexão consigo mesma e de fortalecimento da autoconfiança.
Ao reunir dados sobre hábitos de treino e a experiência de comunidades femininas, o levantamento ajuda a compreender um movimento que vai além do crescimento da modalidade. Mais do que explicar por que as mulheres correm cedo, os dados revelam como a corrida passou a ocupar um novo espaço na vida feminina, um ambiente de autocuidado, pertencimento e construção de redes de apoio que ajudam a transformar o esporte em um hábito duradouro.
Sobre a Zyla
A Zyla é a maior assessoria de corrida movida por inteligência artificial. Fundada em 2024 por Guilherme Monteiro Viana, Samy Waintraub e Maria Luiza Sanches, a empresa protocolada no CREF (Conselho Regional de Educação Física) une a metodologia técnica do treinador Pedro Keller a algoritmos proprietários para entregar personalização em escala para os corredores brasileiros. A plataforma monitora cargas, automatiza feedbacks segundo a segundo e prescreve treinos individualizados para corredores de todos os níveis. Integrada ao Wellhub, a startup opera no modelo de assinaturas diretas e corporativas com a missão de democratizar a performance e a saúde no esporte.