Por George Fernandes
O saibro vermelho de Paris guardou segredos por décadas. Foi nele que Gustavo Kuerten fez o mundo inteiro aprender a pronunciar um nome brasileiro. E foi nele, nesta sexta-feira, dia 29 de maio de 2026, que um carioca de 19 anos fez o Brasil parar, respirar fundo e chorar de alegria mais uma vez.
João Fonseca. Anote esse nome. Ele já está escrito na história.
Em quase cinco horas de tênis, Fonseca protagonizou uma virada histórica contra o sérvio Novak Djokovic para avançar às oitavas de final de Roland Garros, vencendo por 3 sets a 2, com parciais de 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5. Perdeu os dois primeiros sets. Poderia ter desmoronado. Não desmoronou.
Fonseca se tornou o primeiro adolescente a derrotar Djokovic em um Grand Slam e o primeiro brasileiro a vencê-lo em uma partida de chave principal. Djokovic, o maior vencedor de Slams da história do tênis. O homem que já foi número 1 do mundo por mais de 400 semanas. O gênio sérvio que havia vencido quase tudo que se pode vencer em uma quadra de tênis e que, nesta tarde parisiense, encontrou pela frente um garoto que não quis saber de tamanho nem de reputação.
Foi apenas a segunda vez na carreira de Djokovic que ele perdeu um jogo após ter aberto vantagem de 2 sets a 0. Pressão que faria qualquer jovem recuar. Mas, Fonseca avançou.
Logo depois da partida, ainda com a respiração de quem acabou de escalar uma montanha, João encontrou as palavras certas, simples, honestas, brasileiras: “Estou arrepiado. E muito feliz! Agora, vamos para a próxima etapa. Obrigado quem torceu pra mim. Estamos juntos.”
A gente que agradece, João.
Com a façanha, Fonseca se tornou o primeiro brasileiro a alcançar a segunda semana de Roland Garros em 16 anos. Uma geração inteira esperando por um momento assim. E ele chegou com 19 anos, numa quadra que parecia feita para ele, assim como já foi íntima de Guga.
Nas oitavas de final, o próximo desafio será no domingo (ainda sem horário definido) contra o vencedor do confronto entre o norte-americano Tommy Paul e o norueguês Casper Ruud. Mais um degrau. Mais uma chance de fazer o Brasil arrepiar.
O saibro de Roland Garros voltou a falar português. E a história, dessa vez, ainda está sendo escrita.