Por George Fernandes (editor)
O Brasil é pentacampeão do mundo e vive se gabando de ter o melhor futebol do planeta. Mas sejamos sinceros: a estrutura que sustenta o nosso futebol é atrasada, espelha a realidade do país. Corrupção, máfia de cartolas, desorganização… Nada disso é novidade. O futebol brasileiro sempre foi marcado por escândalos e, até hoje, continua refém de um sistema que pouco se importa com o esporte em si.
A goleada de 4 a 1 para os Hermanos, no Monumental de Nuñez, parecia um jogo entre profissionais e juvenis. Mas vamos combinar? Essa não foi a primeira, nem será a última, nem de longe a pior decepção da Seleção. Quem pode esquecer o vexame do 7 a 1 para a Alemanha, em plena semifinal de Copa do Mundo, dentro de casa? Ou o tal Maracanazo de 1950, quando o Uruguai calou o Maracanã? Sem falar da eliminação para a Argentina, em 1990, sob o comando de Sebastião Lazaroni, talvez o técnico mais criticado da nossa história.
O problema é que a Seleção Brasileira perdeu sua identidade. Assim como em 1990, quando a maioria dos jogadores atuava na Europa, hoje o time parece cada vez mais distante do torcedor. Mas aí alguém pode dizer: “Em 1994 e 2002 também tínhamos muitos jogadores na Europa, e ganhamos!”. A diferença é que, naquela época, tínhamos craques. Hoje, nem isso. Com exceção do ataque, que joga no badalado e poderoso Real Madrid, o restante do elenco é composto, em sua maioria, por jogadores medianos, que atuam em clubes medianos. Cadê nossos laterais? Cadê um camisa 10 de verdade?
Só que o buraco é mais em cima. O verdadeiro problema está na estrutura do futebol brasileiro, comandado pela CBF. O atual presidente foi reeleito por unanimidade pelos presidentes das federações—os mesmos que, dizem, recebem salários mensais de R$ 100 mil, sem contar as regalias—e pelos dirigentes dos clubes das Séries A e B, que vivem reclamando da arbitragem e do calendário, mas não movem um dedo para mudar nada. E assim o sistema segue intocável, com boa parte da imprensa sendo conivente, já que muitos jornalistas são amigos dessa casta que manda e desmanda no nosso futebol.
Jovens preferem a Kings League de Piquét
E pra piorar – se é que dá pra piorar – surgiram casos de jovens jogadores brasileiros desistindo do futebol profissional para jogar na Kings League, um campeonato de futebol Society criado pelo ex-Barcelona Gerard Piqué, que mistura esporte e entretenimento digital. Já pensou se essa moda pega?
Se tem algo positivo no nosso futebol, é o investimento da CBF no futebol feminino, que terá a próxima Copa disputada no Brasil, e a transformação de alguns clubes em empresas, profissionalizando um pouco mais o setor. Mas a verdade é que a CBF continua no mesmo ritmo de sempre, sem sinal de mudança.
É triste ver o futebol brasileiro chegar a esse ponto. O país do futebol já foi sinônimo de arte, talento e títulos. Hoje, é só um reflexo do que somos fora de campo: um gigante adormecido, comandado por quem não quer que ele acorde.