A Seleção Brasileira de bocha paralímpica que vai participar do Mundial da modalidade, a partir desta terça-feira (6/12), no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, já vai colocar à prova seu trabalho de renovação para os Jogos de Paris 2024 com quatro atletas estreantes na competição e mudanças em três das quatros classes que fizeram parte de Tóquio 2020.
A cerimônia de abertura do Mundial acontece às 18h desta segunda-feira (5/12), no mesmo local, e contará com uma homenagem ao maior medalhista brasileiro da modalidade em Jogos Paralímpicos e Mundiais, Dirceu Pinto, morto em 2020, aos 39 anos, por problemas cardíacos.
A principal competição da bocha do ciclo Paris 2024 vai reunir mais de 170 atletas de 41 países em disputas individuais, por pares e equipes. As partidas serão realizadas no mesmo palco dos Jogos Paralímpicos de 2016. Os jogos de bocha acontecerão nas estruturas das Arena Carioca 1 e a entrada será gratuita ao público.
Transmissão pelo YouTube
As disputas começam nesta terça-feira (6/12), às 9h30, com transmissão ao vivo pelo Youtube da Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE), organizadora do evento.
“Novamente, o Brasil mostra a sua relevância dentro do Movimento Paralímpico internacional ao sediar um Campeonato Mundial de bocha, uma das modalidades mais inclusivas do paradesporto. E como é importante para o nosso país o surgimento de novos talentos na bocha, fruto de um trabalho que vem sendo realizado em projetos de iniciação esportiva para crianças com deficiência e de competições, como as Paralimpíadas Escolares”, explicou Mizael Conrado, presidente do CPB e bicampeão paralímpico no futebol de cegos (Atenas 2004 e Pequim 2008).
A classe que contará com mais atletas novatas será a BC1 (que podem jogar com as mãos ou com os pés e que contam com a opção de um auxiliar), com duas estreantes de 21 anos. Andreza Vitória, de Recife, e Letícia Karoline, de Caruaru, vão disputar um Mundial pela primeira vez. Andreza, porém, tem mais experiência internacional, pois já representou o país nos Jogos Paralímpicos de Tóquio e na Copa América, no ano passado.
Estreantes em Mundiais
Também com 21 anos, o potiguar Iuri Tauan é outro estreante em Mundiais integrante da Seleção Brasileira de bocha. Uma das revelações das Paralimpíadas Escolares, competição organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) desde 2006, Iuri é, atualmente, o segundo melhor atleta do Brasil e número 12 do mundo pela classe BC2 (para atletas que não recebem assistência).
“Atualmente, temos atletas que foram revelados nas Paralimpíadas Escolares, que vieram das categorias de base. É muita diferença em relação à época que comecei. Na disputa por equipes, estou junto com dois garotos, Andreza Vitória e Iuri Tauan, duas grandes joias raras da bocha brasileira. Estamos prontos e preparados para enfrentar qualquer seleção de igual para igual. E buscar esse título para dar muito orgulho para nosso país”, afirmou Maciel Santos, da classe BC2 (para atletas que não recebem assistência) e o mais experiente da Seleção Brasileira ao disputar o seu sétimo Mundial na carreira.
Outra novidade na equipe brasileira será a paulista Josi Silva, de 29 anos, que vai estrear em Mundiais após voltar a ser convocada para a Seleção Brasileira neste ano pela classe BC4 (atletas com deficiências severas, mas que não recebem assistência).
Na temporada de 2022, foi a única mulher do país a conquistar uma medalha de ouro em competições internacionais, no Challenger da Holanda.
“Tivemos a oportunidade em 2006 em organizar o Campeonato Mundial de bocha e, agora em 2022, em um outro contexto, aproveitando o legado dos Jogos Paralímpicos 2016. Organizar uma competição para 40 países e 170 atletas, pensar em cada detalhe, em tudo que a gente se preocupou e por toda a experiência que a gente tem com a bocha esses anos todos, percebemos que desde 2006 houve uma evolução gigantesca [da modalidade]. Nossa ideia é fazer o maior e melhor Campeonato Mundial que já aconteceu na história da bocha paralímpica”, completou Artur Cruz, presidente da ANDE, organizadora do Mundial.
Na história na competição, o Brasil tem sete medalhas conquistadas ao todo. Foram dois ouros, três pratas e dois bronzes, conquistados em duas edições de Mundiais da modalidade – Lisboa 2010 e Pequim 2014.
A bocha é uma modalidade patrocinada pelas Loterias Caixa.